top of page
Discurso.jpg

Como falar melhor durante os debates

O manual de dicas para perder o medo de falar e conseguir se destacar pela argumentação e fala durante a simulação

Por Beatriz Villar, Mariana Guida e Pietro Giordano, 29/06/2021, 16ª ONU Colegial

A ONU colegial é uma atividade de extrema importância para o desenvolvimento do raciocínio, além de aprimorar a oratória, sendo evidente que a participação na simulação proporciona diversos momentos de aprendizagem, visto que possui temas muito envolventes.  Sem dúvida, é uma oportunidade que requer uma boa capacidade de argumentação, por isso, a equipe de jornalistas inaciana preparou:


Dicas de como falar melhor durante os debates.

  

Estude o assunto a ser debatido
É essencial que o Delegado esteja bem preparado para debater, a fim de se comunicar com mais segurança durante todas as sessões da simulação. Por isso, todos os anos, os Diretores disponibilizam materiais de estudo que ajudam os Delegados a conseguirem se aprofundar no tema de cada Comitê, visando a melhor desenvolvimento dos debates. Além disso, é necessário possuir esse conhecimento, visando a uma melhor participação durante a Coletiva de Imprensa, na qual alguns Delegados serão questionados sobre o posicionamento de suas respectivas Delegações em relação ao tema em questão.


Organize-se fazendo anotações e observações
Às vezes, um Delegado não consegue absorver todas as informações que estão sendo apresentadas. Para evitar que isso ocorra, escreva todo o argumento do assunto em tópicos, ou pequenas palavras-chave que servirão como atalhos para ajudá-lo a lembrar sobre os assuntos falados que são mais importantes e, assim, organizar a fala. Essa ação, mesmo sendo simples, ajudará a melhorar sua apresentação. Portanto, não hesite em fazer as anotações necessárias no papel. Afinal, anotar os tópicos é essencial para entender melhor o que está sendo debatido e não esquecer o que foi abordado.


Seja objetivo
Em um debate, a objetividade é um recurso fundamental. É importante saber sintetizar o que está sendo dito e transmitir a informação de forma mais clara e evidente, tornando mais fácil para as pessoas prestarem atenção, confiarem e compreenderem o que está sendo apresentado, tornando-o mais respeitado, além de evitar ruídos durante o debate. Ao organizar os pensamentos em torno das ideias que deseja transparecer, o raciocínio começa a se tornar mais consistente. Quando se aprende, é mais fácil falar com confiança transmitindo uma sensação de segurança por meio dos discursos, portanto, leia mais e pesquise a opinião de especialistas no assunto. Os argumentos são os elementos mais importantes para um debate, eles passam credibilidade e dão suporte ao discurso, contudo, use-os de maneira inteligente, cite seu argumento, reforce a ideia sobre ele e siga em frente, não repita o que já foi dito!


Não tenha medo de inovar
É importante lembrar que você não deve ter medo de falar. Haverá tempo para se preparar entre as sessões e é até mesmo possível se adaptar entre argumentos, portanto, faça bom uso desse tempo para pensar e desenvolver suas falas e raciocínios. Apresentar um tópico sabendo do que será falado e estando preparado para refutar possíveis contra-argumentos passa a impressão de que se é um especialista no assunto. Ademais, não tenha vergonha de enviar um DP (Documento Provisório) ou de tentar executar ideias difíceis e inovadoras. Trazer novas abordagens para o comitê dará um grande destaque não só para o argumento, mas também para o próprio Delegado, tornando o debate mais interessante.


Fale formalmente, com entonação e clareza
A chave para defender seu argumento é a confiança e lógica, através destas se pode garantir que uma alegação será feita de forma alta e clara. Ao falar com uma boa entonação, o argumento é fortalecido, a partir daí a fala se destaca e atrai atenção dos outros Delegados e também dos Diretores.


Fique atento à fala dos outros Delegados
É de extrema importância estar sempre atento ao que é falado durante os debates, qualquer informação entendida corretamente pode garantir uma certa vantagem para a Delegação, seja ela um complemento a sua fala, um contra-argumento ou um fator crucial a ser considerado durante a criação de um possível futuro Documento Provisório. Além dessa atenção, você deve apresentar a capacidade de se adaptar a qualquer situação. Saber improvisar com base no que já foi falado pode surpreender a todos, dando força às suas falas.


Evite linguagem viciosa

Os vícios de linguagem são habituais, normalmente ocorrendo quando o Delegado se apresenta em estado de nervosismo. É notório, que, é trabalhoso reduzir o uso das gírias, uma vez que estas são recorrentes na oralidade diária. Assim, esse costume deve ser reconhecido e você deve estar disposto a mudá-lo, a fim de extinguir esse hábito, pelo menos durante os debates. Uma dica para auxiliar é: faça pausas, não precisando ser longas, para ajudar a prever quando o aparecimento dessas expressões estiver próximo de acontecer, sendo possível evitá-las.


Lembre-se, manter a calma é essencial para um discurso mais fluido. Não se esqueça de que todos os Delegados estão na mesma situação, por isso é importante deixar o nervosismo de lado para poder aproveitar plenamente dessa experiência única.


Uma ótima simulação a todos!

Dicas: Texto
Simulação.jpg

Como se preparar para a sua primeira ONU Colegial

“Quanto mais se doar para a simulação, mais é recebido em troca” declara Alice Pavlova, diretora do G20.

Por Luiza Rocha Leão e Luísa Guida, 29/06/2021, 16ª ONU Colegial

Deu-se início a mais uma ONU Colegial Inaciana, a 16ª simulação diplomática das Nações Unidas que há mais de dez anos é proporcionada com êxito e excelência pelo Colégio Santo Inácio. Isso se deve, graças ao secretariado, diretores e equipe de Vídeo e Fotografia, que durante meses dedicaram dias e noites para tornar o evento, mesmo que novamente no Modelo remoto, possível.

Embora bastante esperada pelos alunos, a simulação causa um pouco de nervosismo e insegurança, principalmente aos delegados de primeira viagem. A fim de acalmar o coração dos novos membros da ONU - ou de qualquer um que esteja duvidando de si -, a Imprensa elaborou perguntas inéditas para o secretariado e para alguns de nossos diretores sobre o que esperar, como se preparar e, o mais importante, como aproveitar a sua primeira simulação!

Afinal, essa é uma experiência única, capaz de formar laços para a vida toda, ensinar sobre diferentes realidades e formar indivíduos capazes de ir para o mundo sabendo como usar sua voz para o bem.


A seguir, confira o resultado das entrevistas:


1- Como foi sua primeira experiência na ONU Colegial? Você faria algo de diferente se pudesse voltar no tempo?

“Me apaixonei completamente pelo mundo das simulações”, para a secretária-geral Giovanna Ghirardi, a ONU Colegial foi amor à primeira simulação. Ela afirmou que, mesmo com o nervosismo inicial e os discursos curtos, a experiência foi muito proveitosa e quando questionada se faria algo diferente se pudesse, ela respondeu imediatamente: “Não, não faria nada de diferente, por que foi justamente o fato de eu ter participado menos do que eu gostaria dos debates que me incentivou a me inscrever no ano seguinte e então não parar nunca mais.”


Já para o diretor do CSH, Eduardo Rabello, seu amor pelas simulações não começou no Colégio, mas deixou claro que nenhuma das experiências anteriores assemelhou-se à vivida na Simulação Inaciana, “Foi uma experiência única até mesmo para mim, que já tinha feito várias simulações externas, porque percebi que nenhuma delas se comparava ao espírito de família que era construído na Colegial”.


Alice Pavlova, diretora do G20, representou todos nós quando contou sobre o frio na barriga que vem acompanhado de ser um delegado de primeira viagem e explicou como ela transformou a situação a seu próprio favor, “Fiz minha voz ser ouvida de outra maneira, como por documentos e projeto de resolução". A diretora deixou claro que há formas de se participar dos debates durante as sessões, “Vale muito a pena investir na parte escrita, principalmente se estiver muito inseguro com seu discurso”.


2- Para os Delegados de Primeira Viagem da ONU Colegial On-line, quais são os benefícios desse Modelo?

Diante de um mundo ainda em pandemia, algumas adaptações tiveram que ser feitas desde o ano passado para que ocorresse a simulação. Com a sua 2ª edição on-line, muitos delegados de primeira viagem estão participando neste Modelo e isto pode gerar muitas inseguranças. Por outro lado, a diretora Catharina Armond (CSH2) diz que há uma "maior facilidade em criar documentos do que no Modelo presencial”. Outro ponto positivo destacado pelo diretor Antonio Pedro é a “possibilidade de pesquisa no computador durante o debate”. Aline, diretora do G20, também contribuiu com sua experiência: "Uma diferença que eu senti no on-line é que a tensão na hora de falar, por mais que ainda exista, é menor, é como estar em um ambiente mais familiar”.


3- Em relação a sua primeira ONU Colegial, quais foram os aspectos que você mais evoluiu e que são essenciais para o futuro?

A ONU Colegial, além de incentivar os participantes a debaterem assuntos importantes da história e da atualidade, também proporciona um significativo crescimento pessoal. “Já fiz cerca de cinco simulações e isso é algo que sou apaixonado por fazer, algo que começou depois que eu fiz a Colegial em 2019. Sendo assim, acho que melhorei muito desde a primeira vez, com certeza, depois dessa experiência, absorvi muitos aprendizados que me ajudaram muito a crescer no mundo das simulações”, apresentou o diretor da OEA, Antonio Pedro Gonzalez. Assim como Isabel Brandão, diretora do CSH, que ressalta a importância do que já aprendeu, com a ONU, para a vida: “Algo que me impactou muito foi o fato de eu ter me tornado mais confiante nas minhas decisões, a  falar em público e, verdadeiramente, debater e defender uma ideologia. A ONU ajuda muito a nossa oratória, isso foi uma coisa que percebi instantaneamente desde a minha primeira, até a minha atual e terceira ONU.”

  

4- O que você aprendeu durante as simulações e que pretende levar para a vida?

“Numa perspectiva mais pessoal, as simulações me ensinaram a confiar mais em mim mesma em situações de pressão e em como me manter firme durante o debate, seja discursando ou moderando”, para a diretora do ECOSOC, Carolina Calvet, seus momentos durante a ONU Colegial foram momentos de autodescobrimento. A ONU Colegial desafia os delegados de diversas maneiras positivas. Logo, nas relações intrapessoais não poderia ser diferente, durante as sessões é preciso ter confiança em seu discurso e nas suas capacidades, essas são habilidades essenciais para a vida adulta.


Os debates durante as sessões mostram a importância de escutar  pontos de vista diferentes além de ensinarem o valor do diálogo e, como na vida, é preciso saber ceder para chegar a uma solução que agrade minimamente todos os lados,  “aprendi que é sempre bom ouvir o lado do outro”, constatou Giovanna, “é importante se comprometer para chegar em um meio termo quando se trata das negociações”.


O que, de fato, nenhum dos entrevistados deixou de falar foi sobre a intensidade dos laços criados durante as simulações, as relações estabelecidas entre todos são os pilares centrais da ONU Colegial. “O que eu mais vou levar dessa experiência são as pessoas, as amizades, toda a diversão e todo o trabalho que estão envolvidos em organizar a simulação!”, declara a diretora Alice Pavlova. O que se conclui é que o que faz a experiência ser única são as relações nela construídas, nas palavras do diretor Eduardo Rabello: “a Colegial é feita, pelas pessoas que a compõem".


5- Quais conselhos você recebeu quando começou a participar das simulações que são importantes passar para os Delegados de Primeira Viagem?

A primeira vez na ONU Colegial pode parecer muito desafiadora, e o medo de representar negativamente a Delegação escolhida é recorrente. Porém, sair da zona de conforto é essencial para descobertas e aprendizados, assim como ressalta Aline Ventorini, diretora do G20: “Pode parecer um pouco clichê, mas o que dizem sobre ‘É o delegado quem faz a delegação, e não o contrário’, realmente é verdade. Por mais que haja o sentimento de que sua delegação não pareça ‘importante’ no tema, sempre há como contribuir com as discussões e, conforme os senhores vão participando, suas vozes vão ficando influentes no debate.” Ela completa que, “no começo, os delegados podem ficar muito nervosos, se enrolar, cometer erros, e isso é completamente normal. O importante, é mesmo assim continuar se inscrevendo na lista, defendendo seu ponto de vista e, com o tempo será possível se sentir confortável discursando, logo vai ter aprendido a dominar o nervosismo.” Alberto Pires, diretor do ECOSOC, ainda conclui com um conselho muito importante: “Indico fortemente que os senhores sejam extremamente ouvintes e atentos ao que os delegados mais experientes fazem, não há maneira melhor de aprender como delegar!”


6- Qual conselho você daria para os Delegados de Primeira Viagem?

O nervosismo faz parte de vivências novas, o conhecido “frio na barriga” é participante constante das simulações. É importante ressaltar, que, todos os integrantes da organização da ONU - diretores e secretariado - , inspirações para muitos delegados, já passaram pela sua primeira simulação como delegados de primeira viagem. "É completamente normal estar nervoso, todos ficam assim na primeira simulação, eu fico nervosa até hoje” brinca Alice Pavlova, diretora do G20, “só não pode deixar esse nervosismo te parar!” Seguindo as sábias palavras da diretora Carolina Calvet, do ECOSOC, “se joguem na simulação com medo mesmo, porque assim que a insegurança inicial passar, vocês vão conseguir mergulhar de cabeça no universo da ONU Colegial”.


Além disso, como defendido por Margot Garcia, diretora da OEA, errar faz parte e ninguém vai ser julgado por isso. As intenções dos debates são chegar a resoluções mais justas possíveis com base no diálogo diplomático e aprender com os demais delegados e diretores. “A simulação é uma experiência incrível, ela fica melhor ainda quando a gente participa de coração aberto e sem colocarmos pressão em nós mesmos”, conclui. Ao se desprender do medo de errar, você se permite crescer e vivenciar muito mais as sessões.


Aos delegados de primeira viagem: não tenham medo de usar sua voz, e não se sintam intimidados por serem os mais novos. “Somos todos alunos, ninguém é dono da razão, todos podem - e devem! - participar do diálogo e enriquecê-lo”, afirma a secretária-geral. Como dito pelo diretor Eduardo Rabello, “os senhores são o futuro da ONU Colegial”, então não tenham medo de participar!


Outro ponto importante que os entrevistados trouxeram, foi sobre a importância de formar alianças com as outras Delegações. “Recomendo fazer alianças com Delegações que tenham uma opinião similar a sua. Isso vai ajudar não só a ter delegados que irão apoiar suas ideias  dentro do comitê, mas também a conhecer pessoas que podem ajudá-lo a entender melhor a ONU Colegial em si”, aconselha Carolina Calvet. Preparação é a chave para o sucesso! Leiam os guias de seu Comitê e estudem sobre o conflito no qual estão delegando, além de ajudar no entendimento dos debates dará mais confiança na hora de discursar.


↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭


Este ano, assim como no ano anterior, as simulações serão totalmente remotas, entretanto, a Coletiva de Imprensa será uma grande novidade para todos os delegados. Ela acontecerá no primeiro dia de debate após  a quarta sessão, das 18h30 às 19h do dia 30 de junho, Quarta-Feira. Os respectivos jornalistas de cada comitê farão algumas perguntas para os participantes. Diante disso, perguntamos para alguns diretores sobre suas expectativas para esse grande dia. 


Confira as respostas abaixo:


7- A 16ª edição da ONU Colegial do Colégio Santo Inácio conta com a primeira Coletiva de Imprensa na história das simulações inacianas, o que é esperado dos delegados e jornalistas nesta sessão de perguntas inédita?

A 16ª edição da ONU Colegial conta com a estreia da Coletiva de Imprensa, a adição deixou muito dos diretores animados, “há muito tempo que a gente estava tentando inovar com a Imprensa na ONU e finalmente conseguimos!” declarou a diretora Alice Pavlova. Margot Garcia, diretora, concorda completamente e acredita que o evento trará benefícios a todos os participantes, além de acrescentar fluidez aos debates nas sessões.


“A Coletiva trará pontos de discussão que não necessariamente os delegados abordarão durante as sessões normais, enriquecendo ainda mais os debates'', esclarece a secretária-geral na entrevista. “Quero ver os delegados entrevistados lidando com essa situação nova e conseguindo utilizar a Coletiva de Imprensa a favor deles mesmos”, conta a diretora Carolina Calvet, que está confiante em que a sessão de perguntas será um sucesso.  Por fim, como dito pelo diretor Eduardo Rabello, “A coletiva é um desafio, assim como as sessões, que trará frutos que serão colhidos em um futuro próximo.”


Portanto, a coletiva é mais um dos desafios que tornam a ONU Colegial tão única e especial, cujo objetivo não é amedrontar nenhum delegado, mas sim oferecer novos pontos de vista aos debates.


8- Como vocês acham que a Coletiva de Imprensa irá impactar os debates desta edição?

“Os jornalistas procuram sempre fazer perguntas sobre temas delicados que estão sendo evitados. Dessa forma, o debate terá seu rumo alterado e encontraremos discursos conflitantes com maior frequência.” afirma Catharina Armond, diretora do CSH+, tendo sua fala complementada pela da Diretora Isabel: “Acredito que a Coletiva vai mudar os posicionamentos e com certeza alguns países que são aliados podem vir a não ser mais!”. Com toda a animação para a novidade, Alberto Pires, Diretor do ECOSOC assegura: "sem dúvida, a Coletiva chegou para ficar na ONU Colegial!"

↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭↭

Depois de todas as incríveis respostas dos entrevistados, ficam evidente as vantagens trazidas aos participantes, em inúmeros aspectos. Sendo assim, é comum ficar apreensivo e inseguro durante os debates, não deixe que o seu medo o impeça de ter uma experiência inesquecível na simulação. É importante lembrar que a equipe de Mesa de todos os Comitês estará sempre disposta para ajudar, portanto, não hesite em pedir ajuda caso necessário. Certamente, quando a ONU Colegial chegar ao fim, todos ficarão orgulhosos do trabalho que fizeram e sem dúvidas retornarão na próxima edição para mais uma vez desfrutar dessa vivência única.

Dicas: Texto
Microfone.jpg

Dicas para um bom discurso inicial

Conselhos da diretora Giovanna Lopez e da Secretária-Geral Marina Johas para passar uma boa primeira impressão nos demais delegados.

Por Amanda Fayal, Catarina Calabria e Rania Buchaul, 14/10/2020, 15ª ONU Colegial

O discurso inicial é a primeira oportunidade que os delegados terão para falar em seus comitês, antes que se dê início a qualquer tipo de debate entre as delegações. O principal propósito de tal discurso é apresentar a posição do país representado acerca do tema em questão e, por cortesia, dar as boas-vindas ou cumprimentar de alguma forma os demais.

De acordo com a diretora Giovanna Lopez do comitê das negociações intergovernamentais (NIG), um bom discurso inicial é aquele em que o delegado deixa clara a posição defendida, porém sem declarar todos os seus planos. Além disso, é importante que seja firme e dinâmico, sem enrolações, e que cada delegado aproveite ao máximo o tempo fornecido (3 minutos).

Cada representante deve falar da questão e de seu país, não sendo recomendado atacar outras delegações no discurso inicial, pois não é permitido fazer referência aos discursos dos outros no seu. Os delegados devem falar só o básico, deixando um certo mistério; devem demonstrar preocupação com o assunto e expor suas posições de forma ampla, sem entrar em muitos detalhes. Ademais, é sugerido que o delegado faça seu discurso com a câmera ligada, dando uma certa distância do monitor, falando alto e adotando um bom tom de voz.

Por fim, segundo a Secretária Geral Marina Johas, além de qualquer conteúdo a ser mencionado, o delegado deve demonstrar convicção em seu discurso. Como um representante, o modo como se fala é tão relevante quanto o que é expresso, pois sua postura causará uma primeira impressão nos demais. Assim, é importante passar confiança e ao mesmo tempo defender o seu ponto de maneira em que as pessoas prestem atenção e lembrem-se de você.

Dicas: Texto
Destaque.jpg

Como se destacar como delegado

‘É o delegado que faz a delegação, não a delegação que faz o delegado’ , diz Manuela, Diretora da LEA.

Por Beatriz Waehneldt da Silva e Sofia Raslan, 14/10/2020, 15ª ONU Colegial

A 15ª ONU colegial é o tradicional evento de simulação diplomática das Nações Unidas do Colégio Santo Inácio. Há mais de uma década os delegados têm a oportunidade de vivenciar uma aproximação com a realidade vivida nos debates da verdadeira ONU, representando chefes de estado de diversas localidades em comitês extremamente variados que tratam sobre assuntos bastante atuais e muito relevantes para os dias de hoje.

Em uma entrevista para a Imprensa da ONU colegial, alguns diretores e secretários falaram sobre suas experiências e anseios para esta ONU tão atípica, que acontecerá virtualmente devido a pandemia do COVID-19. Os entrevistados forneceram também diversas dicas para facilitar e ajudar no funcionamento dos debates entre delegados dos mais variados comitês.


Confira abaixo os resultados da entrevista:


1- Quais as melhores qualidades em um delegado? Por quê você considera elas como sendo boas qualidades?

Saber ouvir e falar, além de aceitar opiniões distintas e defender seu ponto de vista, tornando o debate produtivo, com essas qualidades, o delegado ‘consegue liderar o comitê em tempos de debate ou perda de foco’, enfatizou a Diretora da LEA, Klara Souza. É importante ler, pesquisar e se interessar por tudo nas sessões. ‘Falar é essencial, mas é claro que apenas o importante’, brincou a Diretora do CSH, Alice Pavlova. A ‘busca pelo conhecimento e a vontade de participar devem ser constantes’. Como diz o Diretor da LEA, Pedro Henrique Faria, é ‘necessário entender o tema para poder tomar decisões plausíveis, se mostrando sempre presente na sessão’. Anseie agir sempre com seriedade, empatia e calma, mantendo-se paciente e proativo, ‘independente das opiniões diferentes é preciso ouvir o outro e buscar uma síntese, não apenas debater’ como ressalta a Diretora da OTAHN, Ana Luisa Granja.

Como a Secretária-Geral, Marina Johas, lembra, ‘transmitir confiança é essencial, você se entende melhor, te entendem melhor e sua fala automaticamente melhora, te tornando um melhor delegado e fazendo com que as pessoas confiem mais nas ideias que você tenta passar.’ Como enfatizado pela Diretora do CSH, Carolina Calvet, ‘façam os debates acontecerem para ter grande impacto no comitê’, vale ressaltar a importância da oratória e a ‘falta de vergonha, ou pelo menos, não aparentar ter’.


‘Se você consegue persuadir um delegado para seu lado, você é um diplomata incrível; mas se você consegue fazer alguns compromissos em seus ideais para assim alcançar um acordo que também favoreça seu lado, você é um delegado extraordinário' - Giovanna Lopez, diretora do NIG.



2- Quais atitudes desagradam em um delegado? Como isso impacta no funcionamento do comitê?

A falta de respeito foi algo muito citado entre os entrevistados, já que o delegado acaba ‘perdendo o respeito de todas a sua volta, além de influenciar o seu poderio dentro do comitê e o sujeitando a não ter seus objetivos atingidos’, como afirma a Diretora da LEA, Klara. O desrespeito pode também, como citado por Pedro Henrique, Diretor da LEA, ‘acuar outros delegados que queiram se expressar’ .

O pior tipo de delegado para a Diretora do CSH, Alice, é aquele que menospreza a todos, aquele que se acha o dono da razão, desobedecendo a mesa ‘que é soberana’, como ela fez questão de ressaltar, além de interromper as pessoas, fazendo com que elas se sintam desconfortáveis em se expressar. ‘Gritar não é muito agradável’, avisa a Secretária Geral, Marina, ‘sua voz não ganha o debate, mas sim o seu discurso’.

De acordo com a Diretora Giovanna, do NIG, a falta de comprometimento e a insistência numa abordagem saturada dos assuntos faz o debate ‘girar em círculos’. Como o Diretor Antonio da OTAHN destaca: ‘um delegado pouco empenhado faz com que a harmonia das delegações seja quebrada e temas que seriam debatidos acabam sendo pouco falados no comitê’.


‘É o delegado que faz a delegação, não a delegação que faz o delegado’ - Manuela (Diretora LEA)



3- Por quê como um delegado deve posicionar seu país sem expressar opinião pessoal sobre o assunto?

Sem dúvida, uma das maiores dificuldades da Colegial para os delegados é conseguir se posicionar sem expressar suas opiniões pessoais, por isso, os diretores entrevistados foram bastante detalhados e cuidadosos em suas respostas. ‘É como incorporar um personagem’, é necessário que o delegado ‘abra mão de sua opinião pessoal’, afirmam Alice e Antonio, Diretores do CSH e da OTAHN, respectivamente.

Como diz o Diretor Pedro Henrique da LEA, é de absoluta importância ‘manter as ideias propostas pela sua delegação, porque caso contrário, a essência da Colegial, que consiste no embate entre países com pensamentos distintos e no desafio do próprio delegado de pensar sob outra ótica, é perdida’.

Marina, Secretária-Geral da ONU, complementa dizendo que ‘você não é você mesmo na Colegial.’ Ela destaca que ‘ter a habilidade de separar o pessoal do impessoal, as suas opiniões das opiniões do seu país, saber discernir o que você quer falar do que você deve falar é de extrema importância em diversas áreas da sua vida, não só na ONU’.


‘É muito mais trabalho ter que defender algo que não conhecemos e concordamos 100%, logo depende muito mais de como você fala do quanto você realmente concorda’ - Antonio (Diretor OTANH)



4- Como um delegado deve se posicionar sem criar polêmicas? E se ele desejar criar polêmicas, o que fazer?

‘Criar uma polêmica em um debate nem sempre é vantajoso’, avisa o Diretor da OTANH, Antonio, porém, vale advertir que ‘posicionar-se sem criar polêmicas não é necessariamente algo bom’, como alerta a Secretária Geral, Marina Johas. Isso evidencia que nenhum dos extremos é muito favorável, contudo, de acordo com a Diretora da OTANH, Ana Luisa, ‘sempre é bom dar uma apimentada na discussão’.

Se não for da intenção do delegado criar controvérsias durante o debate, é mais interessante ‘evitar embates diretos com países que discordam dele, optando por debater esses assuntos da maneira mais calma possível e às vezes até fora do comitê’, indica Carolina, Diretora do CSH. No entanto, caso seja do interesse do delegado criar polêmicas durante a discussão em seu comitê, é indispensável ‘seguir a política externa de seus país e em nenhum momento se contrariar, pois isso pode ser utilizado da pior forma possível contra você mesmo’, salienta a Diretora Klara da LEA.

Aprofundando um pouco mais em seu próprio comitê, a Diretora da LEA, Manuela Netto adverte que ‘o nosso debate geralmente inclui lados contrários, por exemplo, numa guerra temos um lado e temos o outro, na LEA, o feminismo ocidental e os tempos antigos orientais ali no Oriente Médio, então o delegado não criar polêmicas representando seu país é muito difícil’.


‘Se o delegado não quiser causá-las o primeiro passo é ele estudar sua política externa e não falar nada que na vida real o país definitivamente não diria, mas se o delegado quer causar polêmicas, uma boa ideia é atacar países com opiniões muito opostas a dele, seja por discursos ou por meio de documentos provisórios.’ - Carolina (Diretora CSH)



5- Qual o principal tópico que você gostaria que fosse abordado nesse comitê? Por quê esse tópico específico?

Referindo-se individualmente ao seu próprio comitê, os diretores da LEA relatam um pouco de como gostariam que fosse o desdobramento do debate, ‘o tópico que deve ter maior destaque, é a desigualdade de gêneros’, opina a Diretora Klara. ‘Todos os tópicos são interessantes’, mas se tivesse que escolher um, Pedro Henrique escolheria para debate a ‘ausência de liberdade de expressão’. O principal tópico que Manuela gostaria que fosse mencionado e que ela tem ‘certeza que vai render muitos debates, é a educação’, ela também indaga, ‘educação faz o mundo, ensina as gerações que vão mudar o mundo, logo, o que melhor para debatermos senão a educação igualitária para todos?’

Os delegados da OTAHN também posicionaram suas expectativas para seu comitê. O Diretor Antonio relata que gostaria que ‘os delegados discutissem sobre a polaridade das potências ocidentais e orientais’. A Diretora Ana Luisa conta que está curiosa e animada para ver ‘como os delegados irão debater o papel da OTANH nos conflitos internacionais e a questão dos refugiados’.

Na questão que será futuramente debatida pelo CSH, a Diretora Alice, está mais interessada em ver ‘o que eles vão fazer com as mortes, muita gente está morrendo! 800 mil pessoas morreram até o final do conflito, é importante que eles falem sobre isso!’. Carolina, do mesmo comitê menciona que algo muito interessante será debater se ‘o massacre de Ruanda foi um genocídio ou não, pois em 1994 muitas delegações ainda não tinham o reconhecido como tal’.

Sobre a reforma do CS, a Secretária Geral, Marina, expressa sua animação pelo desdobramento do debate no comitê da NIG e afirma que está mais ansiosa para ver como o NIG vai acontecer, pois ‘acredito que seja um comitê com um tema muito interessante, já que é um comitê sobre a própria ONU!’, comenta. Complementando, Giovanna do NIG aponta que ‘gostaria que falassem sobre como a ordem geopolítica será alterada caso a reforma do CS fosse efetiva’.



6- Como ex-delegado da ONU, que dica você gostaria de dar para quem fará esse comitê pela primeira vez? Conte um pouco da sua experiência pessoal.

Vemos que todos os anos, apesar de ser sempre incrível, a ONU causa ‘muita ansiedade e nervosismo por parte de muitos delegados’, como Klara, Diretora da LEA, muito bem coloca. Exatamente por isso, os diretores trouxeram ótimas dicas e palavras de apoio aos delegados de primeira viagem, e aos demais delegados, ‘tire dúvidas com a mesa’, ‘vá de cabeça nos debates, sem medo’, ‘fale com calma e pesquise sobre o tema, tudo irá dar certo’, ‘levem seus diretores, além de como mentores, como amigos, nós queremos ajudar vocês mais do que tudo!’, como foi recomendado pelos diretores Antonio, Giovanna e Manuela.

Falando de experiências pessoais, o Diretor Antonio relata que ‘minha primeira simulação foi como a União Soviética no comitê em inglês, então certamente eu já passei por muita ansiedade antes do comitê. Para os delegados de primeira viagem, calma. O desespero só leva a falhas atrás de falhas’, é importante ter a mente tranquila e preparada, pois, no final é sempre essencial lembrar-se que ‘são todos alunos ali’, conclui a Diretora Ana Luisa Granja.


‘Na minha primeira simulação eu não ficava confortável, então achei outra maneira da minha voz ser ouvida, seja por documentos provisórios, alianças com outras delegações, etc.’ - Alice (Diretora do CSH)



7- Por quê você gosta tanto da ONU e como você acha que ela será importante para os delegados desse ano?

Comum a todos os entrevistados, foi o sentimento de gratidão com a oportunidade de viver essa experiência, durante a conversa com a Secretária Geral, Marina, foi possível perceber que ela compartilhava o mesmo sentimento que seus colegas, que viveram ‘incríveis relações com pessoas que lá estavam’, ela também menciona que pôde experimentar ‘momentos muito felizes’.

A ONU ajudou a habilidade de debater de Klara florescer, além de ter ‘dado a chance de adquirir conhecimento diversos sobre os mais diferentes assuntos’. Como Antonio, que busca uma futura carreira artística, ressalta, todos os participantes aprendem muito sobre ‘interpretação de personagens, controle corporal e autocontrole’.

‘A experiência é incrível’, relata Manuela, ‘não é apenas o salto-alto, os horários ou ver os Estados Unidos da América envolvidos em uma debate acalorado, é também poder ver temas tão atuais retratados na nossa realidade, temas que muitas vezes nem havíamos ouvido falar’. Ela também ressalta que ‘a ONU não é apenas o certificado que irá te ajudar no currículo para a faculdade, ela é a própria porta de entrada no aprendizado para diversas faculdades (Relações Internacionais, Diplomacia Global, Direito Internacional...).’ Emocionada ela completa: ‘A ONU é o futuro!’


‘É difícil de explicar, a ONU muda a vida das pessoas, é sensacional, o evento mais esperado do ano inaciano, eu não tenho nem palavras para descrevê-la, no que ela me transformou, como me fez evoluir, crescer, amadurecer, melhorar como pessoa. As amizades que fiz… Conheci muitas pessoas por causa dessa experiência. A ONU é perfeita, não tenho outras palavras para descrever.’ - Alice (Diretora CSH)



8- O que você acha que os delegados irão aprender com a participação deles nessa ONU tão atípica feita a distância devido a pandemia do COVID-19? E você, o que espera viver e descobrir com essa experiência?

A expectativa para essa ONU tão exótica é grande, Klara, por exemplo, espera ‘aproveitar ao máximo esses últimos dias de simulação e criar laços que vão continuar para além da chamadas do meet’. O online traz vários benefícios e desafios, Ana destaca que os delegados precisam aprender mais do que nunca a ‘trabalhar em equipe em uma situação adversa’.

Um sentimento comum à todos os entrevistados foi de expectativa, eles demonstraram grande força de vontade em fazer com que essa 15ª edição seja ‘especial e inesquecível!’ Como ressaltou veemente Manuela, ‘O fato dela ser online não significa menos intensidade ou importância, inclusive, os temas deste ano vão ser bizarramente atuais’.

Além dessa experiência única, os alunos que participarão desta edição poderão mais facilmente quebrar barreiras como a da vergonha, afinal, como lembra Alice ‘se alguém fica muito nervoso falando para uma sala lotada, às vezes falar para uma tela torna a experiência mais confortável’.nOs alunos com toda a certeza descobrirão que são ‘muito mais capazes do que imaginam’, ressalta Giovanna (Diretora do NIG). Afinal, ‘quando se busca algo, sempre é possível conquistá-lo’, motiva Pedro Henrique (Diretor da LEA).


‘Não importa as adversidades, você consegue fazer o que você quiser, com as motivações certas, apesar do seu irmão gritando no fundo, da sua mãe batendo a porta, você vai conseguir prestar atenção no debate, vai conseguir seu certificado, vai conhecer pessoas novas e sua experiência vai ser tão incrível quanto uma presencial.’ - Marina (Secretária Geral)

Dicas: Texto
bottom of page