
CONSELHO DE SEGURANÇA HISTÓRICO1
(CSH1) - 1982
Guerra das Falklands (Malvinas)
Senhores delegados, esse ano, o Conselho de Segurança, órgão responsável pela manutenção da paz internacional, tratará da Guerra das Malvinas.
O conflito teve início em 1982, quando a Argentina, liderada pela junta militar de Leopoldo Galtieri, ocupou as Ilhas Malvinas, colônia britânica desde 1833. Esperava-se que, pela enorme distância entre o território e o Reino Unido, não haveria reação.
Contudo, a primeira-ministra Margaret Tatcher foi incisiva e, de maneira implacável, comandou a resposta, que veio alguns dias depois. Assim, começa o conflito, que renderá, com certeza, grandes debates.
Contamos com o estudo e a participação de todos. Até lá!
Cordialmente,
Pedro Henrique, Isabel Brandão e Eduardo Rabelo
Diretores CSH1
Simulação da Simulação

Tensões no Conselho de Segurança no debate sobre a Guerra das Malvinas
"Estou defendendo meu povo, a população da ilha se reconhece como inglesa" - afirma Delegação do Reino Unido
Por Luiza Rocha Leão, 30/06/2021, 16ª ONU Colegial
Hoje, dia 30 de maio de 1982, iniciou-se a acalorada discussão sobre a tensão nas Malvinas, protagonizada por Argentina e Reino Unido. A delegação do país latino-americano iniciou seu discurso destacando que a hegemonia das Malvinas era por direito da Argentina e que havia sido tirada à força pelos ingleses em 1833. O Reino Unido rebateu dizendo que na verdade o envio de tropas britânicas às Malvinas era uma resposta à crise em 1770 que ocasionou a expulsão dos ingleses do território. Tendo em vista, que nenhuma das delegações cedeu em seu posicionamento sobre a colonização original das ilhas, viu-se necessário seguir para o ponto de como efetivamente lidar com o conflito. Inicialmente a maior parte das delegações mostrou-se neutra, apenas com o intuito compartilhado de cessar imediatamente as hostilidades.
Deu-se início a um debate não moderado, a pedido da delegação japonesa, o qual Argentina e Reino Unido conduziram. Os Estados Unidos da América surpreendentemente se declararam neutros ao conflito, alegando que a discussão do contexto histórico não era produtiva e que, portanto, havia uma necessidade de debater imediatamente um armistício para interromper os conflitos bélicos. Países latino-americanos como Brasil, Cuba e Peru se aliaram à causa argentina visto que acreditavam que o interesse do Reino Unido na região poderia significar um novo interesse de recolonização, que eventualmente buscaria como próximos alvos as Américas, mesmo que o delegado do Reino Unido tenha deixado claro que esse não era o objetivo de seu país.
França mostrou-se alinhada aos interesses britânicos enquanto a União Soviética declarou apoio total à Argentina, alegando que seria necessária uma intervenção no expansionismo britânico e o fim da expansão de colônias. A delegação soviética também instigou diversas vezes a delegação norte-americana, com o objetivo de que esta fosse mais incisiva no debate. Entretanto, os Estados Unidos continuaram em sua posição de neutralidade, destacando que o interesse do debate era na situação nas Falklands e não na posição de seu país. O Reino Unido se posicionou completamente contrário à ideia de uma possível divisão das ilhas entre seu país e a Argentina, relembrando a divisão malsucedida da cidade de Berlim. Com isso, reintegrou que a região era de direito britânico e não aceitaria perder qualquer parte de seu território para a Argentina.
A delegação britânica aborda diversas vezes em seus discursos sua preocupação com a instabilidade econômica da Argentina e o que isso poderia acarretar às Malvinas, caso a região estivesse sob influência do país. Em resposta, o país latino-americano rebate que é uma crise temporária e que apresenta um dos maiores índices de desenvolvimento na América Latina. Cuba faz coro à delegação argentina, deixando claro seu repúdio à interferência europeia, tanto no continente americano, quanto na região das Malvinas. A delegada da União Soviética, ao ser questionada em relação ao seu apoio à causa argentina, tendo em vista que ambos os países seguem ideologias opostas, clarificou que, no momento, o mais importante seria colocar as diferenças à parte e focar na resolução do problema em questão, justificando seu argumento dizendo que quanto mais o debate prolongasse mais vidas seriam perdidas.
O Zaire declarou que, mesmo tendo sofrido com uma colonização belga e se solidarizando com o status de “ex-colônia” da Argentina, acredita que as Falklands deveriam ficar sob o mando do Reino Unido, uma vez que o idioma da região, assim como a cultura do povo, eram influências britânicas e não argentinas. Sem sombra de dúvida, as sessões foram agitadas, com constante presença de debates no modelo não moderado e delegações urgindo para que todos os participantes utilizassem de sua posição e voz no comitê para terem seu posicionamento esclarecido a todos os presentes. Quase no fim da quarta sessão, que marcou o término dos debates do dia, a delegação da Irlanda apresentou uma hipótese: declarar a independência das Malvinas, uma vez que, em sua visão, seria a única decisão que de fato beneficiaria completamente a população da região e cessando as hostilidades.
De fato, ainda há muito o que ser debatido no comitê, porém as delegações se mostram extremamente comprometidas a chegar em um meio termo favorável ao bem comum.

Argentina declara que Reino Unido vetaria uma medida que visasse à independência das Malvinas
Delegados respondem a perguntas na Primeira Coletiva de Imprensa do CSH que podem mudar o rumo das discussões
Por Luiza Rocha Leão, 30/06/2021, 16ª ONU Colegial
Ontem, após as sessões de debate, ocorreu a primeira Coletiva de Imprensa da ONU Colegial do Santo Inácio. Nossos jornalistas trabalharam em conjunto com os diretores dos comitês para formularem perguntas relevantes - com potencial para mudarem o rumo dos debates - para os delegados. A troca foi um grande sucesso que se mostrou uma ótima forma de extrair mais informações sobre o posicionamento das delegações além de incentivar ainda mais o diálogo entre elas. A seguir, veja o resultado da Coletiva de Imprensa do CSH sobre o conflito das Malvinas, mediado pela jornalista Luiza Rocha Leão:
“Eu sabia que a delegação do Reino Unido não aceitaria esse projeto logo no início do debate” declarou o delegado argentino quando questionado sobre o porquê de ele não defender a independência total da região das Malvinas, visto que em seus discursos defendeu a liberdade dos habitantes das ilhas e repudiou qualquer tipo de imposição cultural ou ideológica. “Estou tentando ser realista, não vou utilizar meu tempo para debater uma opção que sei que é pouquíssimo provável de os meus adversários aceitarem”, a delegação latino-americana continuou, deixando claro que procurava ser o mais objetiva possível na sessões para que os debates evoluíssem. A Argentina também acrescentou que está fazendo o possível para seu país não sair prejudicado da situação e que todos tenham seus interesses minimamente atendidos na resolução final do comitê. O delegado terminou seu discurso com “escolhi ser menos incisivo nessa questão - da independência das Malvinas -, pois quero ser realista, qualquer projeto aprovado será melhor do que a situação atual”.
Já a União Soviética foi rápida em esclarecer que não tinha nenhum interesse em impor o socialismo nas Ilhas Malvinas como havia feito nos países da Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial. Segundo a delegada, o país apenas quer que o conflito chegue ao fim para que as perdas do fogo cruzado não aumentem.
A pergunta direcionada à França foi em relação às acusações feitas por diversas delegações sobre um possível interesse neocolonial da delegação francesa e do Reino Unido nas Ilhas Malvinas. O delegado declarou que nos últimos anos tanto o Reino Unido quanto a França vêm mudando a forma como se relacionam com suas colônias e os países sob sua tutela. Quando questionado de como o delegado acreditava que uma administração britânica nas Malvinas conseguiria se distanciar das tendências coloniais britânicas, o delegado rebateu “é fato que por um bom tempo a Inglaterra abandonou as ilhas, mas acredito que ela esteja disposta a fazer o seu melhor pela população da região sem ferir sua liberdade e da mesma forma preservar sua área de influência nas ilhas”.
A delegação de Cuba foi questionada sobre como enxerga a política anticomunista argentina, visto que, durante os debates, se mostrou aliada aos interesses argentinos, mesmo Cuba sendo um país que segue os ideais da União Soviética. A delegada ressaltou que já havia deixado claro diversas vezes durante seus discursos que a política anticomunista da Argentina não era uma questão pertinente para impedir seu apoio aos argentinos no conflito das Malvinas. Ela afirmou, da mesma forma que a União Soviética, que estava deixando de lado suas ideologias e apoiando a delegação que se mostrasse mais coerente. “Tenho convicção na soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas”, declarou Cuba, “acredito que a questão em pauta seja uma situação de estabelecimento de uma legítima ocupação e não uma questão de afinidade ideológica.”
A jornalista pediu para a Espanha esclarecer sua posição perante o conflito, uma vez que é uma das poucas delegações que tem relação com ambos os lados, com a Argentina pois é sua ex-metrópole e com o Reino Unido, pois são países europeus estão ligados à Comunidade Europeia. A delegada declarou que mesmo que inicialmente tivesse adotado uma postura neutra, com o decorrer das sessões começou a se aliar mais aos interesses argentinos. “Em certos momentos. durante o debate me coloquei contra medidas de interesse britânico e me aliei aos pontos defendidos pela Argentina, portanto, me declaro fortemente aliada à Argentina.” concluiu a Espanha.
O Brasil foi um grande defensor da paz nas Ilhas Malvinas durante as sessões, na Coletiva de Imprensa, o delegado teve a oportunidade de esclarecer como desejaria implantar a estabilidade na região e quais projetos iam de acordo com seus ideais para atingir o objetivo. O delegado iniciou sua fala declarando que estava muito satisfeito com o armistício que as delegações haviam entrado em acordo durante os debates do dia e reintegrou a importância de terminar qualquer conflito armado. Entretanto, a delegação continuou seu discurso enfatizando que o cessar-fogo não era uma solução definitiva e que ainda era necessário discutir uma solução que estabelecesse o fim das hostilidades na região e atendesse minimamente a todos os Estados envolvidos. “Nós esperamos efetuar essa paz por meio de acordos que beneficiem principalmente a Argentina e o Reino Unido,” começou o delegado brasileiro, “conciliando minimamente todos os interesses dos países aqui presentes, acredito que todos tenham seus interesses próprios aos quais desejam defender.” Por fim, o delegado esclareceu que, por mais que entre os dois países em conflito ele tenha maior afinidade com a Argentina, devido à questão da descolonização, o Brasil está inteiramente comprometido em estabelecer acordos que beneficiem também o Reino Unido e, principalmente, acordos que permitam a boa convivência entre malvinos, argentinos e ingleses.
Durante a última sessão de debates do dia, a Irlanda defendeu a independência total das Ilhas Malvinas, durante a Coletiva a delegação foi questionada sobre como funcionaria esse processo de independência, visto que a economia local é fortemente ligada à economia britânica e sofreria drásticas mudanças com os fins dos laços com o Reino Unido. “O processo de independência das Ilhas Malvinas deve funcionar como em todos os outros países que passaram de colônias para estados independentes” começou o delegado da Irlanda, “seria um processo demorado. Caso necessário, a região receberia investimentos externos e desta forma, conseguiriam desenvolver o país, progredindo posteriormente para a industrialização e etc. Dessa forma, poderíamos fazer com que as Ilhas Malvinas se tornem independentes de forma sadia, sem precisar ser um país satélite ligado a alguma grande potência e sem precisar de intervenção externa para o seu funcionamento.” A Irlanda terminou sua fala reintegrando que a delegação preza pelo bem da sociedade malvina, seu interesse está em garantir que a população da região tenha a melhor qualidade de vida possível.
Diversas vezes, ao longo das sessões, o Reino Unido se mostrou preocupado com a atual situação econômica da Argentina e o que isso poderia acarretar às Ilhas Malvinas, caso a região ficasse sob influência do país latino-americano. Na Coletiva, o delegado foi questionado sobre seus discursos durante os debates e se em sua opinião seria perigoso dar espaço na geopolítica mundial para países subdesenvolvidos/em desenvolvimento, visto sua grande preocupação pela situação da Argentina. “Acredito que a participação de todos na geopolítica mundial seja muito importante”, começou a delegação, “a minha preocupação é que se um país que domina outra área não tem as condições necessárias para suprir as necessidades dela, a economia da região seria comprometida assim como a qualidade de vida da população." Em seguida, o Reino Unido declarou que tem total confiança de que os países subdesenvolvidos possuem grande potencial para alcançar seu desenvolvimento - tanto sozinhos, quanto com apoio de países desenvolvidos.
O Japão foi questionado sobre qual país, em sua opinião, estava sendo um empecilho para a evolução do debate sobre as Malvinas. A delegação iniciou seu discurso deixando claro que não acredita na existência de um Estado específico que estivesse dificultando a discussão, entretanto, declarou que nas sessões iniciais o diálogo ocorreu de forma muito polarizada, o que não foi o ideal. "Deveríamos ter analisado as questões sobre o conflito nas Ilhas Malvinas e ter discutido sobre as melhores possibilidades para uma paz que beneficia tanto o Reino Unido, quanto a Argentina. Contudo, devido à quantidade de delegados que defenderam especificamente o interesse de apenas um dos lados, a discussão se prolongou desnecessariamente e sem grande evolução.” O delegado reiterou, ao fim de sua fala, que não existia uma delegação específica que estivesse ativamente se esforçando para dificultar o diálogo.
Com o fim das perguntas elaboradas, a jornalista cedeu o restante da Coletiva de Imprensa para dar espaço a qualquer delegação interessada em trazer novos pontos ao debate. A Argentina aproveitou a oportunidade para agradecer novamente a participação de todas as delegações presentes e seu comprometimento pela paz mundial, “sabemos que o mais importante é o bem-estar de todos”, o delegado declarou, “e entender o real significado de diplomacia é saber ceder seus interesses próprios pelo bem maior”.
O Reino Unido utilizou o momento para responder à pergunta feita anteriormente à França, a qual fora citada, em relação a um possível interesse britânico de recolonização das Malvinas. O delegado frisou que não acredita que essa preocupação seja contundente, uma vez que a região já faz parte do território britânico, portanto, não seria uma colonização, mas sim uma reconquista do que havia sido tomado do Reino Unido.
Por fim, a Irlanda atesta o quão prejudicial seria para a população das Ilhas uma administração conjunta de dois países, o que dividiria a região, e fez um apelo para que as demais delegações enxergassem a independência da região como projeto viável, pois seria a melhor forma de lidar com o conflito.

O Conselho de Segurança entra em crise com a quebra do Armistício estabelecido
Estados Unidos insiste em permanecer neutro enquanto delegações clamam pelo seu posicionamento
Por Luiza Rocha Leão, 01/07/2021, 16ª ONU Colegial
O segundo dia de debates no Conselho de Segurança visando o fim do conflito nas Ilhas Malvinas foi extremamente acalorado. A Argentina expôs seu interesse de facilitar a imigração de argentinos para a região das Malvinas, o que gerou, por parte da Irlanda, uma indagação sobre o verdadeiro interesse do país sul-americano na área. O delegado irlandes questionou a capacidade da Argentina de administrar as ilhas, sendo que, segundo o delegado, o país não tinha nem capacidade de administrar seu território original, visto a atual crise econômica em que se encontra. O país latino-americano demonstrou tremenda ofensa perante a insinuação da Irlanda e esclareceu que era extremamente capaz de administrar seu próprio território, além disso, frisou que não entendeu o posicionamento agressivo da delegação europeia já que a própria também havia acabado de sair de uma crise econômica, contando, inclusive, com o apoio do Reino Unido.
O Brasil seguiu com seu posicionamento de união entre países da América Latina, fazendo coro ao discurso da Argentina e deixando claro seu apoio perante a mesma. Quando iniciou-se uma intensa discussão envolvendo França, Reino Unido, Brasil e Argentina, em relação a situação econômica argentina e como isso poderia afetar as Ilhas Malvinas, a Polônia inseriu-se no debate e fez um apelo para que o Reino Unido e a Argentina fossem mais abertos em relação aos seus acordos bilaterais feitos pelo correio diplomático sem conhecimento das demais delegações. A Argentina se desculpou, se comprometendo a ser mais aberta em relação à seus acordos, explicando que estava procurando medidas que agradassem a todos visto que apenas o cessar-fogo havia sido aprovado por todas as delegações.
Ao ser questionada pelos demais delegados sobre a futura administração das Ilhas Malvinas, a delegada estadunidense proferiu que sua delegação era uma grande defensora da paz e não defendia a internacionalização das ilhas, entretanto, sua resposta foi considerada insuficiente por diversas delegações, como Cuba, Panamá e União Soviética. Em seguida, com o intuito de acelerar as negociações, a Argentina propôs ao Reino Unido o livre comércio entre Argentina e Malvinas, além da facilitação da entrada de argentinos na região. Após esta fala do delegado argentino, algumas de suas delegações aliadas se engajaram na discussão, a China deixou claro que era totalmente contrária à repartição da ilha em uma co-administração Argentina-Reino Unido. A União Soviética clamou que a Argentina se impusesse para defender seus interesses e usufruir de seus aliados enquanto os tinha, a delegada soviética terminou seu discurso reintegrando a importância da transparência durante as negociações entre potências.
Inicia-se um período de Debate Não Moderado com o intuito de firmar um acordo bilateral benéfico tanto para o Reino Unido quanto para a Argentina. O delegado argentino alterou sua proposta original, visto que esta se mostrou insuficiente para a delegação britânica, e questionou se o Reino Unido concordaria com uma zona de livre comércio entre Argentina e Ilhas Malvinas, enfatizando que a ação seria um impulso para a economia da região, o que resultaria em menos apoio econômico por parte do Reino Unido para manter o comércio da área funcionando. O delegado europeu rebateu que não permitiria uma área de livre comércio, porém propôs um abaixo significativo das taxas alfandegárias para produtos argentinos. Ao final da intensa discussão, Reino Unido e Argentina chegam a um acordo visando um meio termo de seus interesses.
Na metade da primeira sessão do dia chegou ao Comitê a informação de que o Reino Unido havia quebrado o cessar-fogo, aprovado no dia anterior, ao atacar as tropas argentinas em sua retirada, motivados pelo clima de hostilidade recém-cessada e pela exaustão causada pelo prolongamento do conflito. A notícia abalou completamente o comitê, Argentina em polvorosa declarou o fim de qualquer acordo feito com o Reino Unido, sendo apoiado por várias outras delegações como Brasil, Polônia, China e Cuba. A delegação francesa entrou em defesa de seu aliado britânico esclarecendo que o cessar-fogo não era o fim da guerra, apenas uma medida temporária de emergência. Portanto, o Reino Unido não havia começado um novo conflito, - como acusado pela Argentina - pois o conflito inicial nunca havia chegado ao fim.
Japão fez coro a França, esclarecendo novamente que um Armistício não marcava, de fato, o fim de um conflito. Várias delegações, aliadas aos interesses argentinos e sensibilizadas pelas vidas perdidas no ataque feito pelos soldados britânico, enviaram cartas aos seus líderes de Estado sobre um possível apoio bélico, caso a situação chegasse a esse ponto. Os Estados Unidos declararam que a delegação argentina não tinha controle sobre suas tropas e afirmou, às demais delegações, que a resposta à violência não poderia ser mais violência, discurso que foi rebatido por diversas delegações perante a insuficiência do posicionamento pouco incisivo da delegação norte-americana.
O delegado da Uganda aconselhou que a delegação argentina olhasse mais a fundo para suas alianças e o desejo tão caloroso da União Soviética de ajudar o país sul-americano, visto o contexto em que o mundo se encontrava: polarizado, devido ao pós Segunda Guerra. A delegada soviética negou as acusações de um possível interesse minucioso por trás da ajuda oferecida à Argentina.
O Brasil declarou diversas vezes a necessidade de uma indenização paga pelos Estados Unidos da América para a Argentina, devido à suposta quebra do TIAR quando o conflito se iniciou e o país norte-americano não socorreu a Argentina. A delegação japonesa interviu dizendo que o TIAR não tinha nada a ver com a crise que estavam debatendo naquele momento, o que prontamente gerou uma discussão intermediada pela Mesa por conta dos ânimos exaltados.
Após a interrupção, o debate voltou a ocorrer de forma mais contida, a delegação francesa reiterou a necessidade de aprovar um Projeto de Resolução para lidarem com a crise gerada pelo ataque dos soldados britânicos na retirada das tropas argentinas e sugeriu a retirada de ambas as tropas - tanto britânicas, quanto argentinas - das Ilhas Malvinas, além do envio de tropas pacificadoras - Forças de manutenção da paz, também conhecidos como Capacetes Azuis - da ONU.
A falta de um posicionamento incisivo da delegação norte-americana marcou o debate durante a tentativa de solucionar a crise. Tropas peacekeepers (capacetes azuis) foram enviadas ao local para proteger a população. O Reino Unido declarou que não deixaria seu território desprotegido e se comprometeria apenas com a retirada de 80% de suas tropas, embora tenha defendido o recuo total dos soldados argentinos das ilhas. Não é uma decisão fácil, porém, no fim, as delegações - mesmo que nem todas estivessem plenamente satisfeitas - aprovaram uma Proposta de Resolução que previa a retirada total das tropas argentinas das Maldivas e retirada de 80% das tropas britânicas. A aprovação marcou o fim da crise, contudo, é importante frisar, que, o debate gerado por ela foi extremamente complexo e de forma alguma a resolução teria sido elaborada desta forma se todas as delegações não estivessem tão ávidas pelo fim dela.
Após a resolução do período de crise enfrentado pelo comitê, as delegações conseguiram entrar em alguns acordos. Foi estabelecido, por pedido do Brasil e alguns de seus aliados, como Cuba e União Soviética, a execução de um Tribunal de Justiça que aconteceria em Madrid para julgar se o ataque dos soldados britânicos seria condenado como crise de guerra ou não, uma vez que o comitê ficou dividido em relação a essa questão: Reino Unido de aliados (como Japão, França e Estados Unidos da América) declarando que o ocorrido não se encaixava com a categorização de um crime de guerra e, em contrapartida, União Soviética, Brasil e outras delegações defendendo que o ataque fora de fato um crime de guerra. Além disso, China, Argentina e Reino Unido aprovaram um acordo que visava o interesse das três e solucionava o impasse da indenização pedida pela delegação argentina pelo abate feito pelo Reino Unido de um de seus navios de guerra.
As sessões foram extremamente agitadas, com diversas pautas abordadas. Ademais, todos os acordos aprovados exigiram discussões meticulosas, visto que, várias delegações se mostraram incisivas e decididas a lutar pelos seus interesses. Durante praticamente todo o conflito, os Estados Unidos se declararam apoiadores da paz, porém nenhuma medida veio da delegação para garanti-la. Amanhã os delegados se encontrarão pela última vez para, com sorte, encerrar de uma vez por todas o conflito.

O Conselho de Segurança restabelece a paz nas Malvinas
Após três dias de debates as delegações aprovaram um Projeto de Resolução
Por Luiza Rocha Leão, 02/07/2021, 16ª ONU Colegial
As negociações pela paz nas Ilhas Malvinas chegam ao final com a aprovação do Projeto de Resolução que encerra, oficialmente, as hostilidades na região. Embora nas sessões iniciais do dia ainda tenham tido desavenças relacionadas a estadia das tropas britânicas nas ilhas e a extensão do período de tempo em que as tropas da ONU ficariam no arquipélago, os delegados foram exímios em deixar suas diferenças de lado e focar integralmente em projetos que possibilitaram o fim da guerra e a paz para a população malvina.
O Conselho de Segurança identificou o território das Ilhas Malvinas como pertencente ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, admitindo assim, o total controle econômico e administrativo para a potência europeia. O Reino Unido irá facilitar a imigração dos argentinos às Malvinas e garantirá a cidadania malvinense aos originados do país sul-americano após quatro anos de sua chegada ao arquipélago. Foi estabelecido que as tropas de peacekeeping permanecerão nas ilhas por um ano, quando chegar o fim do período estabelecido, elas se retirarão e tropas britânicas continuarão no arquipélago para proteger a população e os imigrantes argentinos no arquipélago.
Além disso, o Reino Unido diminuiu em 55% a taxação de produtos argentinos em território malvinense. Foi autorizada a exploração dos Estados Unidos da América nas Ilhas Pitcairn durante dez anos, os lucros oriundos dela serão repartidos entre Argentina e Argentina e parte dele será direcionado ao pagamento da indenização pelo naufrágio do navio ARA General Belgrano. Todos os investimentos na área serão destinados ao setor primário visando a incrementação da economia local. Após o período estipulado, a infraestrutura econômica criada nas Ilhas Pitcairn ficará sob responsabilidade britânica.
Será executado um tribunal para averiguar se o ataque dos soldados britânicos constitui um crime de guerra. O tribunal ocorrerá na cidade de Madrid, cedida pela delegação espanhola visto sua relação com ambas as partes do conflito. Por fim, o Projeto de Resolução promove ainda, a abertura comercial das Ilhas Malvinas, concedendo benefícios fiscais aos três maiores investidores. Esses ganhos obtidos pelas reformas econômicas serão repartidos entre o Reino Unido e o país investidor. Com tremenda felicidade o comitê decretou de uma vez por todas o fim do conflito e a paz nas Ilhas Malvinas.
O último grande acontecimento do dia foi a Cerimônia de Fechamento da ONU Colegial, que contou com discursos lindíssimos do secretariado, dos Diretores de Comitê - uma menção especial aos diretores queridíssimos do CSH -, a estimada Diretora de Imprensa e muitas lágrimas de todos os presentes. Concluiu-se mais uma ONU Colegial bem sucedida, e ouso dizer, uma das mais especiais.














